21 abril 2009

O Ártico vai ficar azul

O oceano Ártico pode ficar todo azul, quase sem gelo, três vezes mais cedo do que se previa, diz um novo estudo de cientistas norte-americanos. Uma nova análise de modelos computorizados, reunida com as mais recentes medições da quantidade de gelo que resta durante o Verão no Pólo Norte, indica que o Ártico pode perder a maior parte da sua cobertura gelada durante o Verão já daqui a 30 anos.


“Isto acontece devido à combinação da variabilidade natural com uma subida na temperatura do ar e do mar, causada pelo aumento da concentração de gases com efeito de estufa na atmosfera”, diz Overland.


Mas o gelo não desaparecerá completamente na estação mais quente. Será é muito reduzido. No fim do Verão de 2037, a área coberta por gelo no Ártico pode ser apenas um milhão de quilómetros quadrados, quando hoje se estende por 4,6 milhões de quilómetros quadrados. E em que é que isto nos afeta? Por um lado, abrir-se-ão rotas para os navios de mercadorias, poupando milhares de quilómetros nas rotas que fazem a travessia do Pacífico para o Atlântico. E poderá ser mais fácil chegar a alguns recursos naturais nas zonas costeiras, como minerais e gás natural, ou petróleo.

Mas provocará também grandes mudanças nos ecossistemas: por exemplo, desaparecimento de alguns recursos pesqueiros, que se movem mais para Norte. Mas isso também pode ser uma bênção, para os países que pescam mais para o topo do mundo. Outras plantas e animais, como os ursos polares, podem é ter neste desaparecimento dos gelos o seu momento final.

Estas novas projeções baseiam-se na análise dos 23 modelos dos efeitos do aquecimento do planeta usados pelo Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas. Desses, foram escolhidos seis, que representam de forma mais próxima da realidade o que se poderá passar com o gelo, explicou Muyin Wang, a principal autora do estudo.

Esses foram comparados com as medições mais recentes do gelo no Ártico, de forma a calibrar as projecções.Os seis modelos mostram que, quando a extensão de gelo se resume a 4,6 milhões de quilómetros quadrados, no Verão em 2007 chegou até a 4,3 milhões, começa a diminuir acentuadamente a acumulação do gelo. Fazendo uma média das previsões dos seis modelos, dentro de 32 anos o Ártico estará praticamente livre de gelo.

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